• Vinni Corrêa

Renzo Mora

Renzo Mora é escritor, roteirista e crítico de cinema, além de colaborador de revistas como “Playboy”, “Vip” e “Cult”. Publicou os livros “Cinema Falado”, “Sinatra – O Homem e a Música”, “Fica Frio – Uma Breve História do Cool” e “Frank, Dean & Sammy: 3 homens e nenhum segredo”. Nasceu em São Paulo, em 1962.

Renzo Mora is a writer, screenwriter and film critic, as well as collaborator of magazines like “Playboy”, “Vip” and “Cult”. He has published the books “Cinema Falado”, “Sinatra – O Homem e a Música”, “Fica Frio – Uma Breve História do Cool”, and “Frank, Dean & Sammy: 3 homens e nenhum segredo”. He was born in São Paulo in 1962.



Razões para ter orgulho de ser heterossexual


Vamos levar em consideração o seguinte:

1 – Os gays se divertem muito mais que os hetéros 2 – Suas festas são muito melhores que as dos hetéros

3 – As amigas mais gostosas dos gays tiram a roupa na frente deles. Algumas inclusive consideram um raro (e põe raro nisso) privilégio “convertê-los”

4 – As músicas deles são muito melhores que as dos hetéros

5 – Os artistas do time deles incluem Leonardo da Vinci, Michelangelo, Cole Porter, Oscar Wilde, Truman Capote... Os nossos incluem cantores de sertanejo universitário e funkeiros

6 – Eles têm uma vida sexual muito mais ativa e diversificada que a dos héteros

7 – Eles são trendsetters por excelência. Tudo que é moda, eles descobriram antes e legitimaram para os hetéros

8 – Eles passam dos 40 anos sem a barriga de chopp abjeta dos hetéros

9 – Eles irritam uma gentalha desprezível como Malafaia, Feliciano, Eduardo Cunha, etc.

10 – Eles se vestem espetacularmente bem. Você usa ternos cinzas da Garbo, daqueles que vêm com dois pares de calça acompanhando o paletó.

11 – A parada deles é um acontecimento. A nossa é um desfilezinho ridículo e ainda cercado de crentes por todos os lados.


Se, diante de tudo isso, você permanece heterossexual, tenha orgulho.


Você está condenado a uma vida sem cor, sem entretenimento, sem diversão e alinhado com o pior que a religião tem a oferecer.


Existe opção?


Não. Como no filme de Woody Allen, “A Rosa Púr- pura do Cairo”, em dado momento dizem ao persona- gem que saltou das telas “Não dá para aprender a ser real. É como querer aprender a ser anão”.


Você não pode aprender a ser gay. É uma armadilha aborrecida que a evolução colocou em seu caminho para assegurar a perpetuação da espécie.


Abrir mão de todas as vantagens de ser gay – e tudo isso sabendo que a maior parte das mulheres in- teressantes (a única parte boa da heterossexualidade) vai passar a vida te ignorando – é um gesto de coragem e de estoicismo (a doutrina fundada por Zenão de Cício (335-264 a.C.), e desenvolvida por várias gerações de filósofos, que se caracteriza por uma ética que prega a extirpação das paixões e a aceitação resignada do destino).


Ou seja, você leva uma vidinha chata pra cacete e os gays – ao contrário das Testemunhas de Jeová e dos vendedores de Herbalife – não estão recrutando e nem cogitam te aceitar no time deles.


Ainda assim, vá às paradas do orgulho heterossexual. Elas são patéticas, mas é melhor que rever pela 15a. vez as reprises dos filmes do Chuck Norris.


E, cá entre nós, tua reação diante do Chuck Norris sem camisa já está dando pinta.



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