• Vinni Corrêa

Glauco Mattoso

Poeta, ficcionista, articulista, ensaísta, tradutor e letrista. Nascido Pedro José Ferreira da Silva, em 1951, na cidade de São Paulo, adotou o nome Glauco Mattoso inspirado na doença que o acometeu em sua infância, o glaucoma, bem como por referência ao poeta Gregório de Matos. Nos anos 70 fez parte dos poetas marginais e fez resistên- cia à ditadura militar. Editou o fanzine “Jornal Dobradil”. Colaborou com diversos periódicos, entre eles, “O Pasquim” e “Jornal da Tarde”. É autor de dezenas de livros e foi vencedor do Prêmio Jabuti, junto com Jorge Schwartz, pela tradução de “Fervor de Buenos Aires”, primeiro livro de poesia de Jorge Luis Borges.

Poet, fiction writer, writer, essayist, translator and lyricist. Born Pedro José Ferreira da Silva, in 1951, in the city of São Paulo, he adopted the name Glauco Mattoso inspired by the illness that affected him in his childhood, glaucoma, as well as by reference to the poet Gregorio de Matos. In the 70s he was part of the marginal poets and made resistance to the military dictatorship. He has edited the fanzine “Jornal Dobradil”. He collaborated with several periodicals, among them, “O Pasquim” and “Jornal da Tarde”. He is the author of dozens of books and was the winner of the Jabuti Prize, along with Jorge Schwartz, for the translation of “Fervor de Buenos Aires”, Jorge Luis Borges’ first poetry book.




O hygienico papellão da civilização


Em prosa e verso ja insisti no poncto. Si a historia é cyclica e si as hegemonias dictas direitistas e esquerdistas se alternam, ora censurando litteraturas de viez socialista, ora patrulhando as de viez fascista, uma coisa permanesce egualmente reprimida, sejam quaes forem as tendencias dominantes: a pornographia, ou seja, a expressão textual, iconographica ou audiovisual da sexualidade, pouco importando si sophisticada ou vulgarmente considerada.


Ora, dahi se deprehende que todo status quo, seja de que lado for, é essencialmente phariseu, uma vez que practica a portas fechadas toda a “putaria” que publicamente condemna e prohibe. Puxando a braza para a minha sardinha, qual seja, a dos fetichistas e sadomasochistas, eu diria que nós, pornographos, somos, ao mesmo tempo, os mais iconoclastas e os mais humanistas, na medida em que não ommittimos nada do que a humanidade seja capaz de practicar. Com a differença de que assumimos o prazer de tudo practicar consensualmente, ao passo que o pharisaismo conservador attribue aos philisteus aquillo que Sansão tambem faria.


Para illustrar, ainda que syntheticamente, esta hypocrita convenção civilizatoria, offeresço ao leitor dois excerptos do livro RUDIMENTOS DE SADOMASOCHISMO COMPARADO, exemplificando, à direita e à esquerda, as contradicções do pharisaismo, lembrando que, por mais libertarios que sejamos, alguns tabus seguem quasi intransponiveis, particularmente os de character hygienico. Aos desaccostumados quanto à dialectica mattosiana, ou mesmo quanto à orthographia classica, vale notar que um dos aspectos da minha obra é o “deshumanismo”, no qual a estrategia paradoxal consiste no contraste entre as peores crueldades veridicas (suppostamente ou não) e as melhores hypotheses de opção sexual, onde o SM, simulado ou não, substitue as reaes atrocidades da supposta civilização humana. A opção esthetica e politica pela orthographia etymologica, por sua vez, se explica por si mesma. A comparar e reflectir.


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Em termos de sadomasochismo, a noção de “limite” pactuado pode ultrapassar convenções “civilizadas” de hygiene, nojo ou dignidade humana, levando uma pessoa ao poncto de ter contacto (inclusive oral) com a urina de quem a domina. Mas difficilmente o limite rompe a barreira do asco provocado pelas fezes, seja no mero contacto ou no olfacto (coprophilia), seja no acto extremo da degluttição (coprophagia) -- o que não inhibe o sadico impulso de testar a intransponibilidade dessa barreira. Pelo contrario: para o sadico seria um prazer addicional ver que sua victima faz das tripas coração e leva a cabo o maximo sacrificio de descer abbaixo da linha da repugnancia.


Como requincte de tortura, a coprophagia forçada tem sido largamente relatada, no passado e no presente. Relatos e relatorios do typo foram materia-prima para meu conjuncto de sonnettos “Coprophagonia: indigesto cyclo digestivo”. Mas entre os depoimentos que testemunham o rompimento da barreira, contra a vontade da victima, cito, para variar, um documento cuja authenticidade foi contestada por ser a fonte um cubano anticastrista chamado Armando Valladares, mas o facto reportado era tão frequente em campos de concentração asiaticos e africanos, que não ha razão para duvidar de sua occorrencia na ilha de Fidel. No livro CONTRA TODA A ESPERANÇA, Valladares narra que “Era o começo dos trabalhos forçados e ainda não tinham tido a idéa de nos mandar trabalhar sem sapatos, mesmo. Pelo menos era o que eu pensava naquella madrugada, quando fomos chamados ao terreo. (...) Mandaram-nos formar filas de dois no fundo. A partir desse instante ja se notava a hostilidade em relação a nós. Começamos a andar na direcção da sahida da prisão; os guardas que nos escoltavam dos dois lados tinham sacado as bayonnetas e agitavam-nas, com gritos e admeaças. Passamos deante das guaritas dos militares, dos edificios da directoria, transpuzemos o alambrado pelo portão principal e viramos à direita, para o leste. A violencia de vez em quando augmentava. A caminhada se tornava difficultosa porque a maioria de nós estava descalça. Espinhos e pedras não nos permittiam um caminhar seguro como o dos guardas que calçavam botas. Naquella zona encontrava-se uma valleta na qual desemboccavam todas as aguas servidas do presidio; (...) La desemboccavam os excrementos de umas oito a nove mil pessoas. O solo era rochoso, com pedras cheias de arestas cortantes (...) Chegamos a uma cerca de arame farpado. Os primeiros que tentaram passar por ella levantando com cuidado os fios de arame, para passar entre elles, appanharam de immediato. Mandaram que saltassem a cerca.


Era prohibido passar entre os arames: tinha-se que pullar e cahir do outro lado, de pés descalços sobre as rochas affiadas. (...) Deante de nós estava a valleta de aguas negras e na superficie, fluctuando, ilhotas de excrementos; por cyma delles nuvens de moscas verdes. A fetidez typica de aguas podres, daquelles miasmas asquerosos, enchia o ar. Os cabos, aos empurrões, usando os fuzis, obrigaram-nos a entrar na valleta immunda. Cahi na agua negra, empurrado pelas costas, e não pude evitar que me enchesse a bocca e inundasse os olhos. O pretexto para aquella tortura era que precisavamos limpar o fundo para evitar que o canal entupisse. Em alguns logares a agua battia-nos no peito ou à altura do queixo, dependendo da estatura do preso; o fundo, irregular e com bruscos declives, fazia a gente affundar de repente, quando se pisava em falso. Tinhamos que tirar alguma coisa do fundo, uma pedra, um pouco de lixo, qualquer coisa, nem que fosse um pouco de lodo, e levar à margem, quando então os guardas approveitavam para nos batter com as bayonnetas. Aquelle espectaculo era indescriptivel. Si algum de nós não submergia o sufficiente, era retirado da valleta e surrado. Emquanto estavamos no centro da valleta não era facil então nos attingir com as bayonnetas. Arranjaram umas varas compridas para poderem nos surrar de longe. Outros guardas, desejosos de participar do castigo, attiravam-nos pedras. Mandaram que advançassemos para o trecho mais estreito da valleta. Justamente naquella parte uma camada espessa de excrementos cobria toda a superficie, estancando a agua, que fluia apenas por um pequeno canal. Iamos advançando naquelle mar de merda. Cada vez que mergulhavamos, affastavamos os excrementos com as mãos, para affundar a cabeça. Os cabellos estavam grudados, os ouvidos e os ferimentos dos pés e os das pernas, causados pelas bayonnetas da guarnição, eram como portas abertas para a infecção. Os guardas, embriagados pela morbidez, desfructavam aquella tortura; deleitavam-se ao nos ver affundar a cabeça na agua podre. Não perdiam occasião de espetar com as bayonnetas ou de appoiar o pé na cabeça de um de nós e forçar, a fim de nos obrigar a affundal-a. Nada pode ser peor do que isto, pensava eu naquelles instantes angustiosos, emquanto pedia a Deus que me desse forças para resistir. (...) Continuamos por mais umas duas horas enfiados na merda.


Voltamos andando. Não me lembro de viagem ou caminhada mais penosa do que essa, nem de regresso mais desejado. Só pensava em tomar um banho e desinfectar os ferimentos; (...) Quando o gruppo de homens alquebrados, arrastando os pés, exhaustos, que formavamos, entrou no terreo, nossos companheiros entoaram a melodia do hymno nacional. (...) A represalia por terem cantado o hymno nacional não se fez esperar: fecharam a agua até o dia seguinte e não pudemos tomar banho.”


Exemplifico com o quadro cubano para emphatizar a relativa gradação dum mesmo soffrimento: entre chafurdar no exgotto -- atolado em merda, com agua podre entrando por todos os orificios -- e ser obrigado a comer “apenas” dois ou trez toletes, que “só” sujarão a bocca, o castigado certamente optaria pela segunda hypothese, provando que até mesmo a barreira coprophagica tem suas variaveis condições. Illustro essa relatividade circumstancial com o seguinte caso que vivenciei: ainda nos noventa, logo apoz ter perdido a visão residual, tive opportunidade de massagear os pés dum ex-collega de trabalho, poucos annos mais velho que eu, mas que se apposentara do banco por tempo de serviço e não por invalidez, como foi meu caso. Chamal-o-ei de Zeca Gabeira, por tractar todo mundo como “companheiro”. A coisa começou ao reencontral-o no banco, quando eu ia com o guia pagar comptas: fui perguntado sobre o que andava fazendo para me occupar, e dei trella fallando maravilhas da reflexologia, que Zeca quiz experimentar. Marcamos então um dia para que elle viesse me visitar. Por azar (ou sorte), foi o mesmo dia em que cortaram a agua para um conserto no encanamento de outro apê, e fiquei sem poder dar descarga na privada. Mal chegou, Zeca pediu para usar o banheiro. Expliquei a situação e fallei que ficasse à vontade. Emquanto elle cagava, escutei nitidamente os peidos pipocando como um excappamento desregulado. Alliviado, Zeca sahiu e se accommodou no sofá para que eu lhe relaxasse os pés e demonstrasse meu conhescimento do mappa plantar. No meio da massagem, deixei excappar um peido e, para evitar embaraços, fiz gracejos sobre a flatulencia, brincando que “até peguei gosto em cheirar esse gaz hilariante”, ao que Zeca perdeu qualquer resquicio de pudor e passou a soltar bufa atraz de bufa, rindo a cada reacção facial minha. Approveitei para respirar fundo, sob o pretexto de divertil-o, e com isso appreciei melhor o leve chulé que mal se distinguia, encoberto pelo fedor das ventosidades. Antes de sahir, Zeca ainda pilheriou: “Mas veja la, companheiro! Si você não aguentar um perfuminho mais forte, não levante a tampa da privada antes de dar a descarga, hem?” Typo do adviso dispensavel, pois assim que dispensei o Zeca corri ao banheiro e me adjoelhei deante do vaso antes de erguer a tabua. Acho que os toletes tapavam completamente a agua do fundo, e a fedentina me fez gozar quasi sem necessidade de tocar a bronha. Tenho certeza de que Zeca adivinhou minha phantasia, pois em outra occasião, quando nos encontramos numa churrascada, fez questão de contar varias piadas sobre alguem que comeu merda...


Isso demonstra que, mesmo dentro de certos limites, o excremento incrementa o clima numa situação de servidão, ainda que o essencial fique no ar, subentendido.


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O prazer voyeurista de “assistir de camarote” a uma sessão de tortura real (ou, simuladamente, a uma scena SM) ja é, ao vivo, sufficientemente orgastico ao publico sadico, mas pode ser reprisado e multiplicado si for registrado photographica ou cinematographicamente. Mais que mil palavras (ou palavrões), a imagem gravada falla por si e documenta agonias de uns e orgasmos de outros -- instantes que, si não podem ser perpetuados, servem ao menos para readvivar a memoria e para despertar o instincto da crueldade em novos adeptos.


Pittoresco exemplo desse deleite visual está no costume nazista de photographar e filmar supplicios e massacres de prisioneiros nos campos de concentração. Era commum, nessas occasiões, a presença de adolescentes engajados na Juventude Hitlerista, que, a convite dos guardas, vinham se divertir vendo a morte alheia, provocada e prolongada com todos os requinctes dignos de figurar num album de recordações. Um hespanhol antifranquista, deportado para a Allemanha e internado no campo de Mauthausen, relata nestes termos uma grottesca scena de execução collectiva flagrada pelas cameras dos risonhos moleques: “As auctoridades SS procuravam evitar a todo custo que o typho chegasse a dominar, com todas as suas consequencias, mas a incompetencia dos chefes e a insufficiencia dos serviços de hygiene tornavam muito precario o combatte à epidemia. A situação tornara-se insus- tentavel; muitos eram os que vinham cahindo sob o peso mortal da malefica peste. O medico-chefe e o inquisidor Hans Grupper, commandante-geral, entenderam-se para mandar realizar a desinfecção total do campo. Todos os prisioneiros foram mettidos numa grande fossa rectangular que os SS utilizavam normalmente como garagem. Por alli passaram, successivamente, milhares de corpos cadavericos. Os prisioneiros eram despidos e entravam na fossa completamente nus. Isto constituiria mais uma experiencia, visando a concretizar novo methodo de exterminio. O espectaculo, sem precedentes nos annaes da historia dos crimes nazistas, enchia de horror todos os que presenciavam mais essa prova. Angustiados, todos se dispunham a esperar a morte. A fossa achava-se rodeada por muralha de pedra de cerca de 3 metros de altura, situada perto da entrada do campo. A operação foi feita de madrugada; os infelizes, tocados como rebanhos de carneiros à hora de sahir do curral, foram despejados naquella fossa. As sentinellas tinham ordens de estabelescer linhas cruzadas de tiro, collocando metralhadoras em todos os canthos, apponctadas em direcção à fossa. Em summa, todas as medidas de segurança haviam sido tomadas. (...) Às seis da manhan, ainda fazia um frio intenso na maldicta fossa. Era mais um tormento a fustigar os corpos eskeleticos dos condemnados. (...) As horas se faziam interminaveis e durante todo esse tempo os prisioneiros tiveram de supportar o duro açoite do frio. (...) Por fim, o sol começou a brilhar no horizonte, e seus raios vieram mitigar o soffrimento daquelles homens, mas à medida que subia nas alturas celestes, seu calor tornou-se muito intenso, transformando-se em um novo tormento. As mumias alli admontoadas não tinham como defender-se dos raios solares que as torravam sem piedade. O contraste entre o frio que accabavam de supportar e o calor desta chuva de fogo, accabava por enlouquescel-os.


Os desmaios e as diarrhéas iniciaram seus estragos naquellas victimas. O quadro era de desespero e de horror; os infelizes se moviam e removiam, na van tentativa de excappar às garras da morte. A agonia se appoderou desses desgraçados impedidos de defender-se. A vileza dos componentes dos SS se revelou mais uma vez. Installados no alto da muralha, convidavam alguns jovens nazistas, tambem uniformizados, a presenciar aquelle quadro infame, onde os martyres desfallesciam sobre seus proprios excrementos, vencidos pelo calor que os devorava. Os nazistas se divertiam, tirando photographias. O sarcasmo parescia não ter limites; divertiam-se contemplando os agonizantes que estrebuchavam em sua hora derradeira, naquella fossa immunda. Os barbaros componentes das forças SS inspiraram-se nesse horror, descobrindo, assim, novo methodo de exterminio, que incorporariam ao seu catalogo de processos de eliminação. (...) Naquelle dia, o intenso frio das primeiras horas da manhan, seguido pelo insupportavel calor mais tarde, provocou maior numero de mortos do que um dia de trabalho ‘normal’ nos diversos commandos. O martyrio parescia não ter fim e se prolongou até o pôr-do-sol. (...) Os condemnados, exmagados pelo intenso calor, a fome e a sede, dirigiam seus olhares de odio aos carrascos. Entre estes havia delinquentes communs, verdadeiros monstros, gente do ‘basfond’; alguns exhibiam suas tattuagens, monogrammas, symbolos, serpentes pintadas ao redor do tronco. Formavam uma das imagens mais sinistras do campo, somente comparavel à densa fumaça que sahia das chaminés dos fornos crematorios.”


Isso demonstra que a actual demanda por “snuff movies” (filmes detalhando torturas e execuções barbaras) não é la tão recente, e que não basta presenciar uma agonia: é preciso exhibir uma prova de que o privilegiado espectador esteve la, curtindo a coisa ao vivo e em cores.


Illustro essa mania de “archivar” o soffrimento alheio com o seguinte caso que vivenciei: depois que o sadico Xisto me levou a seu clube para servir de massagista aos frequentadores, fui contactado por outro dominador (que chamarei de Zebedeu), interessado em ver um cego posando para sua camera profissional. Por telephone, Zebedeu me explicava que eu seria clicado nas situações mais comicas e vergonhosas. Combinado que eu me prestaria ao papel de palhaço esculachado, veiu elle me buscar e levou-me a seu estudio. A especialidade de Zebedeu era capturar, em close, cada momento e cada movimento dum rosto humano deante do excremento humano -- instantaneos que ganhariam maior valor caso o rosto fosse dum cego, com as reacções de repulsa e nausea accentuadas pelo “panico” das sensações olfactivas e gustativas, allarmadas na falta do choque visual deante do troço recemcagado. Despido e manietado, fui collocado de cara para o prato contendo um tolete em forma de kibbe e, passo a passo, ia sendo “dirigido” emquanto escutava os disparos da machina. Photogramma por photogramma, minha bocca foi vista, crispada, approximando-se do cagalhão, abrindo-se para mordel-o, projectando a lingua para erguel-o na poncta, arreganhando os dentes que prendiam um naco semimastigado, até que, no final da sequencia, o prato era lambido para não restar siquer o caldo que excorria do cocô. O facto de que aquellas fezes paresciam feitas duma mixtura doce (contendo provavelmente chocolate e caramello) em nada prejudicaria a impressão de quem fosse ver, mais tarde, as photos, até porque minha expressão de repugnancia era authentica, desconfiado que fiquei si no meio da mixtura haveria qualquer dosagem de verdadeiros excrementos. Quanto a isso, Zebedeu jamais me deu garantias...


A conclusão de que, nesse typo de registro, a verosimilhança falla mais alto que a propria veracidade, vem corroborar o interesse voyeurístico dessa modalidade de arte “expressionista” -- ja que a expressão facial do cego parescia mais que convincente. Mais recentemente, compuz, a proposito da cobaya dum photographo, o cyclo “Sobre um ensaio sobre a cegueira”, reproduzido ainda no poema heroicomico “Glaucomatopéa”.



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